O que chamamos de sistema não surgiu do nada: ele se apoia em correntes de pensamento que, ao longo dos séculos, ensinaram a tratar a política como cálculo de poder. A vertente mais conhecida delas é o realismo político — a leitura que separa a ação pública da moral e avalia decisões apenas pelo resultado que produzem para quem governa.
Na prática, o realismo político é usado como manual: interesse acima de princípio, eficácia acima de verdade, permanência acima de propósito. Ele não precisa ser citado para ser aplicado — quase sempre aparece disfarçado de “pragmatismo”, “jogo político” ou “realidade das coisas”.
Nós reconhecemos essa base para combatê-la. Não com ingenuidade, mas com princípios: caráter não negocia, poder é meio e política deveria ser serviço.